Vocação


“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque fazendo isso, nunca jamais tropeçareis.” (II Pedro 1:10)


Vocação pode significar ato de chamar, escolha, tendência, talento, índole, aptidão; pendor natural para uma profissão, inclinação para qualquer ofício ou sacerdócio.

Ser pastor é desempenhar uma das vocações mais difíceis, principalmente nos dias atuais.

Boa parte da vida e da energia do pastor é gasta no cumprimento das expectativas (implícitas e explícitas) [...] vai desde a roupa que ele usa até o comportamento de sua esposa, dos seus filhos e dos seus obreiros.

Para muitas igrejas, a mulher do pastor deve ser [...] um exemplo entre exemplo. Os filhos dele devem ser praticamente santos e seus obreiros devem portar-se impecáveis. Porém, tudo isso são apenas anseios da igreja que, apesar de bons, estão bem distantes da realidade.

O pastor deve lutar, sim, pela conduta de sua família, uma vez que isto é bíblico; contudo, não há como obrigar os filhos a seguir os preceitos divinos e a igreja deve ser sábia quanto a isso. Eu cresci ouvindo os antigos cristãos dizerem: “Filho de peixe é peixinho, mas filho de crente não é crentinho, nem filho de pastor, pastorzinho.”

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A maioria dos pastores acaba fazendo alguns malabarismos para equilibrar o tempo que dá à família, a si mesmo e aos diversos afazeres da igreja. Muitos acabam se sentindo faltosos diante dos papeis que precisam desempenhar como homem de Deus.

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Há dois tipos de pastores, duas classes distintas e nobres de Ministros no pastoreio: pastor-mãe e pastor-pai.

O pastor-mãe é um para-choque: é manso, é paciente e é compreensível, atento para ouvir; tardio para falar. Enquanto o pastor-pai fica nervoso com os problemas que surgem na igreja.

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Mesmo no padecimento, o pastor-mãe é capaz de obter prazer em servir a igreja [...] ele chega a portar-se como uma babá: “Antes, fomos brandos entre vós, como a ama que cria seus filhos” (I Tess.2:7). Esse pastor transforma a congregação em uma grande família e trata os membros da igreja como seus próprios filhos. Dessa forma, cuida das crianças, ampara os órfãos, consola as viúvas, aconselha a Juventude, protege os anciãos etc.

O pastor-mãe é um genuíno co-pastor. Ele é mais que um excelente cooperador, ele é um arquiteto, um planejador, um recrutador [...] um mestre de cerimônias [...] E, tudo isso, sem abdicar seu pastorado.

O trabalho dele raramente é reconhecido, mas nem por isso ele desanima, desiste ou para.

A palavra  pastor no grego é  poimeen: Aquele que provê, que guia, que alimenta (I Co 3:2)

“É obrigação nossa como pastor, ver se o nosso rebanho está sendo alimentado corretamente, porque no dia do julgamento, nós responderemos pelo rebanho... então deveríamos passar nosso tempo, constantemente, zelando por sua alma. E quando a primeira coisinha que víssemos surgir que não fosse correta é nossa obrigação irmos àquela pessoa, porque nós somos pastores cuidando daquela ovelha.” (Mensagem: ‘Necessário vos é nascer de novo’, parágrafo 31)

Trecho retirado do livro Dois-Pontos, cap. 02, intitulado “Vocação”, pág. 33 a 37. Pr. Eliézer da Silva Ribeiro



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