Didática


"Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino." (Rm 12.7)

A palavra didática vem da expressão grega didaktikós e significa arte ou técnica de ensinar.

 

MESTRE

"Ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres." (Ef. 4.11)

Mestre se diz em latim magíster e significa professor, doutrinador, instrutor etc. É aquele que ensina arte, ciência etc.

O ensino tem uma função muito bem definida nas Escrituras, o qual ocupou a parte principal do ministério do Senhor Jesus e dos seus apóstolos.

Ensinar é a arte da compreensão, é um processo onde se devem empregar forças definidas para, com isso, obter-se um resultado definido. O bom mestre não é o que mais sabe: não basta competência, requer-se anos de pendor vocacional.

Logo o mestre evangélico não é apenas uma pessoa dotada de técnicas, habilidades e conhecimentos trata-se de uma vocação dada pelo Senhor para doutrinar segundo o oráculo de Deus e assim, transmitir a Palavra, facilitando a compreensão dos novos conversos para "o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo". (Ef. 4.12)

 

VOCAÇÃO

O segredo da autoridade do mestre está na sua vocação e na consagração da sua vida a Deus.(Mc. 1.22; I Co. 2.4)

O mestre vocacionado não ensina de si mesmo. Ele não busca fama, glória humana ou recompensa material (Jo. 7.16). Ensina para a edificação, aperfeiçoamento e crescimento da igreja, para que os fiéis saibam como convém andar na casa de Deus (I Tm. 3.15).

Disse o irmão Branham que o mestre deve ter 100% de sua responsabilidade ao ministrar; se falhar nisso, ele causará dificuldades às pessoas e entrará em problemas com Deus. (Mensagem: Advertência, depois Juízo; parágr. 16-17).

O mestre será julgado com maior rigor seja nesta dimensão ou em outra, pois suas palavras e ações decidem destinos.

Hitler, Stalin, Mussolini e tantos outros, em tempo recorde, lideraram milhões de pessoas à morte. Isso deve levar-nos a analisar melhor que tipo de ensino transmitimos.

O ensino não é uma mera transmissão de conhecimento, antes, é fator de mudança, correção e edificação (I Tm. 3.17), caso contrário, o ministério desse mestre torna-se insípido e ineficaz.

O ensino é uma das formas de alimentar o rebanho cristão. Enquanto muitas vezes os crentes antigos carecem de incentivo e correção (I Tm. 4.1), os novos convertidos precisam crescer espiritualmente (I Pd. 2.2), se tornarem arraigados, edificados e confirmados (Cl. 2.7), aprenderem a adorar, a amar e a servir a Deus; a vencer as astutas ciladas do diabo (erros e hábitos condenáveis, Tt.  1.9), a combater o pecado e a viver de modo digno com sua posição privilegiada.


GRÃO-MESTRE

"Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo." (Tg. 3.1)

O irmão Branham disse que [...] o grande número de mestres é a razão da grande profusão de seitas, para as quais não haverá mais títulos (atualmente há em torno de treze mil religiões, seitas, denominações e ismos no mundo). Cada igreja considera-se como verdadeira ou, pelo menos, como a mais pura e correta parte dela, enquanto elas mesmas perseguem uma às outras com o mais amargo ódio.

[...] A este labirinto de seitas, denominações e confissões diversas, faz parte outra coisa: o amor à disputa... O que se consegue com isto? Foi resolvida alguma vez uma única contenda erudita? Nunca! Seu número somente tem aumentado. Satanás é o maior sofista. Ele nunca foi vencido numa contenda de palavras...

Infelizmente, no serviço divino, as palavras dos homens são geralmente mais ouvidas do que a palavra de Deus. Cada um tagarela como lhe agrada, ou mata o tempo por meios de dissertações eruditas, desaprovando os pontos de vista dos outros [...] (Era da Igreja de Sardes, p. 226)

[...]

"Nós desunificamos o corpo de Cristo. Nunca deveríamos estar desunidos. Podemos divergir em ideias, mas sejamos de coração para coração, irmãos. " (Hebreus II, p. 35)

Temos tido muitos conflitos desnecessários e muita energia desperdiçada, causando danos à igreja, principalmente com o debate de assuntos secundários, tais como: usos e interpretação da Bíblia, revelação da Mensagem etc. Em um sentido mais amplo, quem domina as "máquina das divisões", impõe o que acha ser "ortodoxia" sem a menor revelação do Evangelho da graça de Deus.

"Uma denominação fermenta um igreja, um ministério corrompe outro ministério, um tabernáculo estrangula outro tabernáculo, só a palavra de Deus levará a igreja a ser uma Noiva."

 

MESTRE IDÓLATRA

Para essa classe de ministros basta possuir um rebanho numeroso, logo se afasta dos colegas e através dos seus ismos, credos e dogmas forma um companheirismo à parte e se alcança o reconhecimento como "mestre", então, logo, logo começa a vomitar a sua vaidade, com isso, tenta ofuscar a liderança dos demais e denegrir a imagem dos companheiros. Esse tipo de obreiro, mesmo quando ouve uma mensagem centralizada ou apanha um livro alinhado, passa mais tempo catando erros do que se alimentando com a Palavra.

Inegavelmente, o que há em abundância na igreja são "mestres" idólatras do seu próprio trabalho, o qual é feito sem a mínima preocupação de elevar Cristo e, sim, com o cuidado pré-concebido de mostrar sapiência humana. São "mestres" ávidos por elogios, suas palestras são carregadas com o tempero da revelação humana e mistérios próprios. Tudo isso alimenta apenas seus egos, enquanto os seus interiores vivem sempre vazios do amor de Deus.

Eles vivem com a cabeça cheia de teorias e o coração vazio do Espírito. São duros como uma pedra: não reagem, não dão respostas, não sentem. São frios como mármores; estão fadados a seguir vidas tristes, angustiadas, horríveis e solitárias; separados dos irmãos, longe das alegrias da comunhão e do convívio cristão, alheios à graça de Deus.

[...]

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (II Tm. 2.15)

 


Texto retirado do Livro Reticências, cap. 1: "Didática". Pág. 23 - 29. Autor: Pr. Eliézer da Silva Ribeiro 

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