Coração Minado


Um coração de pastor, também pode ser minado por críticas e oposições. Infelizmente, as críticas fazem parte da vida pastoral. Não há como escapar delas. Todos os pastores são humanos e cometem erros, por isso muitas críticas que recebem são convincentes (quer sejam bem intencionadas, quer não). Críticas sempre doem - embora, sejam indispensáveis para o aprendizado e o crescimento. 

Diz Joaquim Gonçalves (líder nacional, apóstolo, pregador e pastor em Goiânia - GO) que "um verdadeiro líder tira proveito de todas as críticas, pois um dos segredos para o sucesso é aceitar ser criticado". 

Além das críticas construtivas que vêm ao nosso encontro - e não devem ser desprezadas, há também alguns ataques injustos, na forma de insinuações: são ofensas e boatos - às vezes, descarados e, outras vezes, sutis. Se aceitarmos essas críticas como procedentes, podemos arruinar nosso coração de pastor. Além disso, o pastor raramente recebe críticas sozinho, a sua família, às vezes, sofre essas injustiças com mais intensidade. 

O pastor não pode ser achado como uma torre inatingível, nem como um capacho eclesiástico. Isso não é bíblico. O coração do pastor pode ser arruinado por críticas se deixarmos que elas nos transformem em passivos "sacos de pancadas" pastorais, sangrando de raiva e amargura até ficarmos vazios da graça. São quase sempre os que ovacionam o pastor nos dias áureos, os mesmos que blasfemam nas horas amargas. Quando tudo vai bem é "Hosana nas alturas!", quando as coisas vão mal: "Crucifica-o!".

Então, o que fazer quando somos atacados? Meu conselho é não revidar. Evidentemente, as críticas têm de ser respondidas com gentileza e perdão. Esse foi o exemplo dado por Jesus: quando ele era insultado não revidava, ele nunca procurava se justificar, perdoava aos seus inimigos e orava pelos que o atacavam. 

Minha experiência mostra que nada alcança o coração a não ser o que vem do coração e quando sigo o exemplo de Jesus meu coração de pastor é restaurado e fortalecido. 

Coração Consolado

O sucesso no ministério gera louvor. E isso certamente faz bem de vez em quando, não é mesmo? Não há nada de errado nisso, e penso ser algo muito bom ver um pastor capaz de receber aplausos com emoção e humildade. 

Durante esses anos de ministério, de vez em quando, Deus, em sua misericórdia, tem enviado até mim um Barnabé, um "filho da consolação", nas horas em que eu mais preciso ser lembrado de que meu trabalho não é em vão. Com certeza, é bom quando uma igreja agradecida expressa seu amor e satisfação diante do trabalho árduo que realizamos. 

Não há louvor, reconhecimento e crescimento suficientes da igreja no qual eu possa me gloriar. "Como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor."(I Co. 1.31)

Por isso tenho de me tranquilizar e continuar trabalhando até o fim. O ministério é como a agricultura: temos de arar, adubar, plantar, regar e depois esperar a colheita. A prova de que a semeadura foi boa vem somente com a colheita. 

E o que faço enquanto espero? Faço tudo que sei para a honra de Deus. Oro pedindo mais amor e sabedoria e, na falta destes, às vezes peço isso com ousadia e depois clamo pela misericórdia de Deus. 

"É Deus que nos consola em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer tribulação, com a consolação que nós mesmos somos consolados de Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo." (II Co. 1. 4-5)


Texto retirado do cap. 04, intitulado Coração, do Livro Dois-Pontos – Caminho no Mar. Ano: 2013. Pág. 57-59

Autor: Pr. Eliézer da Silva Ribeiro. 


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